Avanços no Tratamento da Psoríase em 2026: O Que Já Está Disponível no Brasil

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Avanços no Tratamento da Psoríase em 2026: O Que Já Está Disponível no Brasil

Sou a Dra. Clarissa Prati, médica dermatologista, e ao longo dos últimos anos tenho acompanhado uma verdadeira transformação no tratamento da psoríase. Se há duas décadas os pacientes conviviam com poucas opções terapêuticas e resultados muitas vezes limitados, hoje o cenário é completamente diferente.

A ciência dermatológica evoluiu rapidamente. Novos medicamentos, novas estratégias de tratamento e uma compreensão muito mais profunda da biologia da doença permitiram avanços que mudaram a realidade de milhões de pessoas.

Muitos pacientes que chegam ao meu consultório perguntam:
“Dra. Clarissa Prati, existe algo novo para tratar psoríase?”
“Os tratamentos modernos realmente funcionam melhor?”
“O que já está disponível no Brasil?”

Essas perguntas são extremamente importantes, porque a psoríase não é apenas uma doença de pele. Hoje sabemos que ela é uma condição inflamatória sistêmica, associada a alterações metabólicas, risco cardiovascular e impacto significativo na qualidade de vida.

Neste artigo, vou explicar em detalhes quais são os avanços mais importantes no tratamento da psoríase até 2026, o que já está disponível no Brasil, como essas terapias funcionam e como elas podem mudar a vida de quem convive com a doença.

 


 

O que mudou no entendimento da psoríase nos últimos anos

Durante muito tempo, a psoríase foi tratada apenas como um problema da célula cutânea, o queratinócito. Hoje sabemos que essa visão estava incompleta.

A psoríase é uma doença imunomediada, caracterizada por uma ativação anormal do sistema imunológico que leva a inflamação persistente e renovação acelerada das células da pele.

Esse processo envolve diversas vias inflamatórias, principalmente:

  • IL-17

  • IL-23

  • TNF-alfa

  • células T ativadas

 

  • sistema de comunicação interleucina-célula (JAK/TYK)

Compreender essas vias foi o ponto de virada que permitiu o desenvolvimento dos tratamentos mais modernos.

Hoje, quando explico a doença aos meus pacientes, costumo dizer que a psoríase é como um “sistema de alarme imunológico desregulado”. Os tratamentos modernos não apenas tratam a pele — eles modulam esse sistema de alarme inflamatório.

E é justamente por isso que os avanços recentes são tão relevantes.

 


 

A revolução dos imunobiológicos

Um dos maiores avanços no tratamento da psoríase foi o desenvolvimento dos medicamentos imunobiológicos.

Esses medicamentos são produzidos por biotecnologia e atuam de forma altamente específica nas vias inflamatórias da doença.

Diferentemente dos tratamentos antigos, que suprimiam o sistema imunológico de forma mais ampla, os imunobiológicos atuam de forma direcionada.

Hoje, já temos várias classes destes medicamentos, incluindo:

  • anti-TNF

  • anti-IL17

  • anti-IL23

  • anti-IL12/23

  • anti-TYK

  • peptídeo oral IL23

Essas terapias podem levar a níveis de controle da doença que, há alguns anos, eram considerados praticamente impossíveis.

Muitos pacientes tratados com essas medicações atingem resultados PASI 90 ou PASI 100, o que significa redução de 90% ou até desaparecimento completo das lesões (100%) observadas antes do início do tratamento.

Como dermatologista, vejo na prática o impacto desses medicamentos. Pacientes que conviviam com placas extensas por anos conseguem recuperar a autoestima, a qualidade de vida e a confiança social. Vamos conhecer estas famílias de medicamentos?

 


 

Anti-TNF: os pioneiros

Os medicamentos anti-TNF foram os primeiros imunobiológicos utilizados no tratamento da psoríase.

Eles atuam bloqueando o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), uma citocina inflamatória importante no processo da doença. São eles:

etanercept

infliximabe

adalimumabe

certolizumabe pegol

Apesar de não serem os mais modernos, ainda têm papel relevante em casos específicos, especialmente quando há associação com artrite psoriásica ou com outras doenças imunomediadas.

 


 

Anti-IL-17: os queridinhos

Entre os imunobiológicos disponíveis, os medicamentos que modulam a ação da interleucina-17 (IL-17) estão entre os mais eficazes.

Essa citocina inflamatória desempenha um papel central na psoríase, estimulando diretamente a proliferação das células da pele e amplificando a inflamação.

No Brasil, já estão disponíveis medicamentos dessa classe, como:

  • secuquinumabe

  • ixekizumabe

  • brodalumabe

  • bimequizumabe

Essas terapias apresentam resposta rápida e elevadas taxas de melhora clínica.

Em muitos casos que acompanho no consultório, pacientes que não respondiam a tratamentos tradicionais apresentam melhora significativa após o início dessas terapias.

 


 

Anti-IL-23: uma revolução

Outra grande evolução foi o desenvolvimento dos medicamentos que equilibram a interleucina-23 (IL-23).

Essa citocina atua mais “acima” na cascata inflamatória da psoríase, o que parece permitir um controle mais prolongado da doença, com estudos inclusive de modulação de células de memória (ou seja, aquelas que perpetuam a doença por não esquecerem de como iniciar o processo todo!).

Entre os medicamentos disponíveis estão:

  • ustequinumabe

  • guselcumabe

  • risanquizumabe

  • tildraquizumabe

Uma característica importante dessas terapias é o maior intervalo entre aplicações, o que facilita muito a adesão ao tratamento.

Para vários pacientes, isso representa menos impacto na rotina e maior conforto terapêutico.

 


 

Terapias orais modernas

Além dos imunobiológicos, outra inovação importante foi o surgimento de medicamentos orais direcionados, que atuam em vias inflamatórias específicas.

Um exemplo já consolidado é o apremilaste, que atua na enzima fosfodiesterase-4 (PDE4), regulando a produção de citocinas inflamatórias.

Mais recentemente, temos também o deucravacitinibe, um inibidor seletivo de TYK2, que representa uma nova geração de terapias orais.

Ele atua de forma mais específica na sinalização imunológica envolvida na psoríase, com eficácia superior às terapias orais mais antigas e um perfil de segurança bastante promissor.

Recentemente, houve o lançamento nos Estados Unidos de um peptídeo oral, uma grande inovação no tratamento da doença, chamado de icotrokinra. Ele também é de uso oral e modula a IL23. Ainda não está disponível no Brasil.

Essas opções ampliam o leque terapêutico, especialmente para pacientes que preferem evitar medicações injetáveis.

 


 

Fototerapia: nunca sai de moda - com ressalvas

A fototerapia continua sendo uma ferramenta importante no tratamento da psoríase.

O uso de UVB de banda estreita permanece como uma estratégia eficaz, especialmente para pacientes com doença moderada.

Com equipamentos modernos, o tratamento se tornou mais preciso e seguro, reduzindo efeitos adversos e aumentando a eficácia.

Em muitos casos, a fototerapia pode ser combinada com outras terapias para potencializar os resultados, ser utilizada em momentos pontuais de piora ou para regiões da pele que custam a responder ao manejo sistêmico.

Ela não tem ação consolidada na inflamação sistêmica, precisa de maquinário e de clínicas específicas, além da orientação do dermatologista. Hoje, há estudos com bons resultados para seu uso em domicílio, mas sempre sob supervisão do dermatologista.

 


 

Medicina personalizada no tratamento da psoríase

Um dos avanços mais importantes na dermatologia moderna é a medicina personalizada. Sem firulas, sem “protocolos”, mas com uma preocupação genuína com o contexto geral de cada paciente.

Hoje sabemos que cada paciente tem características diferentes:

  • genética

  • gravidade da doença

  • presença de artrite psoriásica ou outras doenças imunes

  • estilo de vida (dieta, atividades físicas, trabalho)

  • padrão de sono

  • apoio familiar e social

  • comorbidades (doenças metabólicas, cardiovasculares, passado de neoplasias, infecções crônicas, peso)

Por isso, não existe mais um tratamento único para todos. Ainda bem!

No consultório, minha abordagem como Dra. Clarissa Prati é sempre individualizada. Avalio não apenas a extensão das lesões, mas também fatores como a saúde metabólica, a qualidade do sono, o nível de estresse e o histórico familiar.

Essa visão mais ampla permite escolher a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente. E é exatamente por isso que eu converso tanto com o paciente e com seus familiares - sem entender o todo, como é que eu vou tratar o paciente de forma adequada?

 


 

Tratamentos combinados

Outra tendência importante é o uso de terapias combinadas.

Em alguns casos, combinamos:

  • terapias tópicas

  • fototerapia

  • medicamentos sistêmicos

  • imunobiológicos

Essa estratégia permite otimizar os resultados, especialmente os mais difíceis. No entanto, traz a problemática de acesso a alguns medicamentos.

 


 

O impacto dos avanços na qualidade de vida

Quando converso com pacientes que começaram tratamento há décadas e comparo com os resultados atuais, a diferença é impressionante.

Antes, muitos conviviam com:

  • lesões extensas

  • estigma social

  • desconforto constante

  • baixa autoestima

Hoje, graças aos avanços terapêuticos, muitos pacientes conseguem manter a doença completamente controlada por longos períodos.

Isso muda não apenas a pele, mas também a vida social, profissional e emocional.

 


 

O futuro do tratamento da psoríase

Embora já tenhamos avançado muito, a pesquisa científica continua evoluindo.

Algumas áreas promissoras incluem:

  • terapias gênicas

  • novos alvos imunológicos

  • modulação do microbioma

  • inteligência artificial aplicada ao tratamento

Essas linhas de pesquisa podem trazer ainda mais precisão terapêutica nos próximos anos.

 


 

Conclusão

Os avanços no tratamento da psoríase transformaram completamente a forma como lidamos com essa doença.

Hoje temos terapias capazes de controlar a inflamação de maneira muito mais eficaz e segura do que no passado.



Como dermatologista, minha missão como Dra. Clarissa Prati é acompanhar constantemente essas evoluções e oferecer aos pacientes tratamentos baseados em evidência científica, sempre respeitando a individualidade de cada caso.

Se você convive com psoríase, saiba que as opções terapêuticas disponíveis hoje são muito mais avançadas do que há alguns anos.

A informação correta e o acompanhamento médico especializado são fundamentais para alcançar os melhores resultados.

 


 

Perguntas e respostas sobre tratamento da psoríase

Psoríase tem cura?

Atualmente não existe cura definitiva, mas os tratamentos modernos permitem controle prolongado da doença.

Imunobiológicos são seguros?

Quando indicados e acompanhados por um dermatologista, apresentam perfil de segurança bem estabelecido.

Todos os pacientes precisam de imunobiológicos?

Não. O tratamento depende da gravidade da doença e da resposta a terapias anteriores.

Fototerapia ainda é usada?

Sim. Continua sendo uma opção importante em muitos casos.

Os tratamentos modernos estão disponíveis no Brasil?

Sim. Diversos imunobiológicos já estão aprovados pela Anvisa e disponíveis no país.

 


04/05/2026

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Foto da autora do post, Dra. Clarissa Prati

Dra. Clarissa Prati

Médica dermatologista, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Doutora pelo Instituto de Assistência ao Servidor do Estado de São Paulo.

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